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domingo, fevereiro 25, 2018

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Ratos de Porão - Discografia


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Discografia Ratos de Porão

Início da década de 80. Embalado pela revolução musical surgida debaixo de nomes mágicos como Ramones e Sex Pistols, o movimento punk começa a tomar corpo em São Paulo. 
Era 1981, Kid Vinil (do Verminose) havia conseguido um programa na Excelsior FM, Fabião (Olho Seco) abrira uma loja na Galeria do Rock (a Punk Rock Discos) e começaram a aparecer os primeiros fanzines punks, como o legendário Factor Zero. 
Da safra pioneira de 78, sobraram Restos de Nada e AI-5, mas a cena já começava a ficar povoada de nomes como Inocentes, Cólera, Fogo Cruzado, M-19, Lixomania, Olho Seco e Condutores de Cadáver. A Punk Rock Discos lançou então Grito Suburbano, coletânea que se tornou o primeiro LP punk brasileiro, com as bandas Olho Seco, Inocentes e Cólera.
João Carlos Molina Esteves (Jão, guitarra/vocal) e seu primo Roberto Massetti (Betinho, bateria), acompanhados por Jarbas Alves (Jabá, baixo) resolveram levar a fundo sua paixão pelo punk e decidiram montar uma banda.
 “Nós criamos o Ratos de Porão em novembro de 81, depois de ir num encontro punk que rolou com umas bandas da época, como Inocentes, Olho Seco e Cólera”, lembra Jão, que começou tocando guitarra e cantando, passou para a bateria e hoje cuida apenas das guitarras do R.D.P. 
“A gente jáá tinha idéia de montar banda desde 1980, mas não tínhamos instrumento, não tínhamos nada. A primeira bateria nós compramos em uma igreja de crente, depois descolamos baixo e guitarra”. O primeiro passo foi ensaiar muito, afinal, ninguém sabia tocar nada.
 “Era tudo muito tosco, pois ninguém tocava nada mesmo. Nossa primeira música foi Porquê. A gente ficava a tarde inteira tocando só ela, era um ‘tchem, tchem, tchem’ que não acabava nunca, parecia um trem passando toda hora”, brinca o guitarrista, que não esquece o primeiro show da carreira do grupo.
 “Foi em 82, quando já tínhamos uma meia dúzia de música compostas. Tocamos numa escola de Pirituba, com o Suburbanos. Estava cheio de bicho-grilo e a gente ficava mandando eles tomarem no cu (risos). 
Na época, eu cantava e tocava guitarra, os dedos ficavam sangrando. Depois, tocamos até em estacionamento de supermercado”. 
A realidade daqueles dias era muito diferente da de hoje, em que qualquer moleque já sai gravando CD com a mesma facilidade com que muda de estilo musical.
 “Naquela época, gravar era uma utopia, por isso, a gente nem pensava nisso, só queríamos mesmo era tocar nos festivais punks”, completa ele.
Enquanto o Ratos começava a se ajeitar, o destino se encarregava de direcionar para o punk a história de João Francisco Benedan, o João Gordo, um moleque da zona norte de São Paulo, que passou sua adolescência em Angatuba, no interior paulista. 
“Eu sempre vinha para São Paulo pra comprar uns discos na Galeria (centro da capital). Um dia, vim comprar o It’s Alive, do Ramones, e conheci o Fabião (Punk Rock Discos). 
A loja dele não tinha nada, só um LP da Runaways”, lembra o próprio João Gordo, rindo.
Os caminhos de Gordo com bandas punks começaram a se cruzar muito cedo. “Eu sempre brincava de ter banda, de tocar um pouco violão. Foi nessa época que começou o contato com o pessoal do Ratos, que morava na Vila Piauí. Fui conhecendo as pessoas aos poucos. Primeiro, conheci um moleque -cuja avó morava em Angatuba – que andava com a camiseta do Sid Vicious. Depois, conheci o Marinho (hoje no Pavilhão 9), que era uma criança ainda”, lembra Gordo. “O Ratinho, um cara que é punk até hoje, ia fazer o backing-vocal do Extermínio, mas ficou doente. Então, os caras da banda me chamaram, pois eu conhecia algumas letras. Foi assim que tive minha primeira experiência com banda. O Jão, que na época deveria ter uns 13 anos, estava nesse show e me viu. Foi ali que tudo começou de fato, ele foi meu descobridor (risos)”.



Em julho de 1982, o Ratos de Porão começou a gravar o legendário LP Sub (jáá com Rinaldo Amaral, o Mingau, na guitarra) coletãnea que contava também com Psykose, Fogo Cruzado e Cólera. Durante a gravação desse disco, a banda se aproximou ainda mais de Gordo. “Posso dizer que conheci de fato o Ratos de Porão na gravação do Sub, através do Redson (Cólera). Eram todos molequinhos. Eu costumava ir nos ensaios, nos shows e até nas casas dos caras. Era meio fã mesmo”, conta Gordo.
Enquanto Sub era lançado, o conjunto travou seu primeiro contato com a cena do exterior ao participar com uma música (Parasita) da coletãnea norte-americana World Class Punk.
 Na mesma época, um evento acabou se tornando divisor de águas no movimento punk nacional: o festival O Começo do Fim do Mundo. Organizado por Clemente (Inocentes) e por Antônio Bivar (autor do livro ‘O Que é Punk’), o evento durou dois dias no Sesc Pompéia (São Paulo), reunindo 20 bandas e quase três mil punks para ver os shows e exposições de fotos, vídeos e fanzines. Infelizmente, o festival acabou em uma tremenda pancadaria entre a polícia e gangues do ABC e da capital. 
“Eu estava no interior, não pude ir a esse show. Mas a idéia que ficou era de que o evento se tornou um espelho do país na época, com todo aquele lance de contestação”, opina Gordo. “Esse show foi uma ode … feiúra (risos), com um monte de gente com sabão no cabelo, jaco de napa (jaqueta feita de uma espécie de película), calça na altura da canela e tênis Topper. Foram dois dias de caos torpe, reflexo do país na época, por isso, é lógico que tinha que acabar com polícia, quebra-quebra e briga do ABC contra São Paulo. Porém, por mais tosco que tenha sido, ali foi o auge do movimento punk, pois foi um acontecimento que reuniu 20 bandas e milhares de pessoas.


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No ano seguinte, Betinho decidiu sair da banda, forçando Jão a ir para a bateria e deixando vago o posto de vocalista. Foi aí que veio João Gordo para o vocal. “O Betinho tinha saído depois de gravar o Sub, por isso, decidi ir para a bateria. Na Época, o Gordo era backing-vocal do Extermínio e acabou entrando no Ratos como vocal”, diz Jão. “O Betinho casou muito cedo, com 16 anos, por isso, teve que sair da banda para trabalhar. O Jão decidiu ir para o lugar dele na bateria, mesmo sem ter sequer instrumento pra tocar”, conta Gordo.
Com Gordo (vocal), Jão (bateria), Mingau (guitarra) e Jabá (baixo), o Ratos de Porão começou a longa fase de ensaios. “O primeiro ensaio que participei como vocalista da banda foi na Lapa, na casa do Chulé, que hoje em dia é policial. Ensaiamos junto com o M-19 (cujos integrantes hoje fazem parte do Invasores de Cérebro). Depois, ensaiamos um bom tempo com o Inocentes”, explica Gordo. “Na verdade, naquela Época era muito difícil ter show, por isso, a gente passava a maior parte do tempo ensaiando”.
A falta de shows era reflexo da cena da época: confusão ideológica e repressão policial. “Havia muita repressão policial, as barcas vermelho-e-preto (carros da polícia) paravam a gente por tudo. Se tivesse usando calça tipo do exército os caras levavam tudo e deixavam a gente de cuecas”, conta Gordo. “O movimento punk em São Paulo era confuso, muito confuso. Todo mundo era louco, meio junkie. Havia um ou outro com ideologia e idéias políticas, mas a grande maioria não estava nem aí, cheiravam cola e era a maior baixaria”.
Na época, a cidade estava recheada por verdadeiras gangues de punks, como a temida Carolina Punk. “A Turma da Carolina existia desde os anos 70. Não tinha show para ir, por isso, o pessoal se reunia em gangues de punk dos bairros. Eu era da zona norte de São Paulo, conhecia todo mundo da Carolina Punk “, diz o vocalista.
Foi nesse clima que pintou a primeira apresentação do Ratos de Porão com João Gordo no vocal. “Foi na PUC, em julho de 1983. De cara, já fui dizendo ‘Pau no cu de Deus, da Globo e do ABC’ (risos). Foi a primeira coisa que disse e isso está registrado (só) em áudio num curta metragem feito na época, chamado ‘Punks’. Eu não me lembro como foi o show e nem lembro se passei som, se tinha PA e retorno, não lembro de nada. Só sei que todo mundo usava os mesmos instrumentos e uns amplificadores Giannini.”
Passado o terremoto que foi o show da PUC, o R.D.P. lançou o seu primeiro LP, Crucificados Pelo Sistema, em novembro de 1983. “Não teve show de lançamento, não teve nada. Foi uma época confusa, havia briga toda hora, o movimento punk deu uma esfriada e a própria banda quase acabou depois que o disco saiu”, diz Gordo.
Dentro do Ratos, as coisas definitivamente não estavam muito harmoniosas, pois um estilo musical começava a estremecer as bases do conjunto: o heavy metal. “Eu já estava ouvindo Metallica, Venom, Exodus e Slayer. Além disso, as bandas que eu mais gostava estavam indo para o metal, como o Discharge. Foi a fase do crossover, da mistura do metal com hardcore. Então, decidi sair do Ratos”. Mesmo desfalcado, o grupo lançou um split-LP ao vivo no Lira Paulistana (antiga casa de shows de São Paulo) com o Cólera, em 1985. “A banda meio que acabou naquela época, só gravamos aquele ao vivo por pura teimosia”, confessa Jão. Fechando a primeira fase da carreira do grupo, no mesmo ano o Ratos participou de outra coletânea histórica, a Ataque Sonoro.

1985-1989

Mas a paixão pela barulheira falou mais alto e Gordo voltou para o Ratos de Porão. Na nova encarnação da banda, Jão deixa a bateria e volta para a guitarra (Mingau foi para o 365 e, muitos anos mais tarde, entraria no Ultraje a Rigor) e Nelson Evangelista Jr. (Spaghetti) chega para ser o baterista. As influências de metal, porém, agora estavam mais fortes. E foi nesse pique que saiu Descanse Em Paz, em 86.
“O Jão e o Jabá viraram metaleiros mesmo, com cabelo grande e tudo (risos). A fase do Descanse Em Paz foi bem Rainbow (bar localizado na zona sul da capital paulista). O Spaghetti, que também era punk, virou metal de vez e só entrou no Ratos porque tinha bateria”, confessa Gordo, rindo. “Nessa época, eu era alucinado pelo S.O.D., que para mim foi o divisor de águas da época, pois unia metal e hardcore. Se não fosse o metal, o Ratos de Porão teria acabado, pois não tinha mais show punk, só briga. Então, começamos a frequentar os shows de metal, que eram bem organizados, sempre dava mulher e todo mundo te respeitava”.
Não eram só os punks que estavam descambando para o metal, mas o caminho inverso também era latente e irreversível. “Eu comecei a perceber essa aproximação quando ia na Galeria do Rock e via os moleques metaleiros com camiseta do Ratos de Porão e LPs de hardcore debaixo do braço. Foi nessa época que começaram a me chamar de ‘traidor do movimento’, coisa que só parou quando eu assumi que sou traidor mesmo. De movimento que é só baixaria e briga, sou traidor mesmo”, ironiza Gordo.
Começando pela própria capa, Descanse Em Paz foi um álbum bem sombrio. “O disco tem um ar meio pesadão, a época foi meio foda. A gente gravou no dia do aniversário do Spaghetti, na hora da festa de aniversário do cara (risos). Estava todo mundo louco de ácido, foi uma tosqueira”, diz Gordo. Mas Jão vê a coisa sob outro ângulo: “Eu era bem desencanado, pois trabalhava de peão de segunda a sexta. Essas deprês todas eram mais do Gordo, que tomava umas bolas e ficava deprimido.”
No ano seguinte, o R.D.P. solta Cada Dia Mais Sujo E Agressivo, que sela em definitivo seu flerte com o metal e tem como convidados especiais o pessoal do Sepultura. Até os desenhos do encarte foram feitos pelo Igor Cavalera. “E tem mais: eu peguei esse título para o álbum da parede da casa do pessoal do Sepultura (em Belo Horizonte), que na época era tudo moleque. Estava escrito em inglês. A casa nem existe mais, foi demolida para construírem um prédio”, lembra Gordo.
Foi nessa época que se consolidou a grande amizade entre João Gordo e a galera do Seputlura. “Aquela fase foi muito legal, nós éramos muito amigos. A amizade começou em 1986, quando fui a Belo Horizonte ver o show do Venom com o Exciter. Eu estava acostumado com os metaleiros de São Paulo, que tinham até carro próprio, por isso, tomei um susto quando conheci os caras do Sepultura. A casa do Paulo (Jr., baixista) era uma tosqueira, parecia que ia desmoronar”, lembra. “Todo mundo começou a crescer e pensar de forma mais profissional naquela fase, tanto o Sepultura quanto o Ratos de Porão”.
Foi nessa fase também que começou a história de lançar os discos em versão inglês e português. “Isso foi idéia do João Eduardo (do selo mineiro Cogumelo Records). Se mesmo hoje eu não falo inglês, imagina então naquela época. Eu tenho vergonha da versão em inglês (Dirty And Aggressive), é uma coisa bem macarrônica, do tipo que gringo vê e dá risada. Por outro lado, aquele disco teve uma puta produção legal para a época”, admite Gordo.
“Eu nunca curti muito o Ratos de Porão em inglês, acho que todas as tentativas foram mal sucedidas. A exceção talvez seja o Massacreland, em que as músicas já foram feitas originalmente em inglês”, assume Jão.
Em 89, a banda finalmente pãe os pés na em território europeu pela primeira vez. “Nós chegamos a ir para a Europa (gravar) antes do Sepultura. Já estávamos meio que desligados do movimento punk de São Paulo, nossos shows enchiam da galera metal. Tínhamos conseguido um contrato com a Eldorado e o Sepultura com a Roadrunner. O Sepultura gravou Beneath The Remains no Rio e o Ratos gravou em Berlim. Depois de gravar, fizemos uns shows em alguns clubinhos punks da Itália e da Holanda”, recorda Gordo. “Até aquele momento, não tínhamos tido contato com o movimento punk de verdade, apenas com aqueles esgotos daqui, que eram só bagunça. Na Europa, tivemos contato com o movimento punk organizado, sem brigas, com shows nos squats (prédios abandonados, geralmente destruídos por alguma guerra, que são tomados por sem-tetos e, em alguns casos, punks). Ficamos três meses vendo isso e o choque cultural foi muito grande”.
De volta ao Brasil com a gravação debaixo do braço, a banda lançou seu disco de maior repercussão até então, Brasil. “Naquele disco, a gente fala mal do país o tempo inteiro, desdea capa até a última música. Esse disco marcou uma época para nós, fizemos muitos shows”, diz Gordo. “Também fizemos uma versão em inglês desse álbum, mas ficou uma bosta. Mas era uma bosta bem produzida (risos). Não tem jeito, Ratos de Porão tem que ser em português”.
1990 - 1996

Com o sucesso de Brasil, a banda se empolga e investe bastante no Anarkophobia, de 1990. “Nesse trabalho, acho que tentamos dar um passo maior do que a perna. Somos músicos toscos, não somos como o Sepultura, que toca pra caralho”, admite Gordo.
Porém, o que queimou o filme mesmo nessa época não foi o lado musical, mas as apariçães do Ratos de Porão em programas como Gugu e Angélica. “Os caras da Eldorado não tinham visão nenhuma e achavam que a gente deveria ir nesses programas. Fomos até no programa da Angélica… da Angélica!!! Foi ridículo, simplesmente ridículo”, grune Gordo, constrangido.
Mal o Anarkophobia havia chegado nas lojas e Spaghetti saiu da banda. Betão (ex-Korzus) quebrou um galho por um tempo, mas só com a entrada de Maurício Alves Fernandez (Boka), é que a bateria do Ratos de Porão ganhou o motor que a move até hoje. “O Spaghetti tinha saído por causa da mulher dele e o Boka apareceu do nada. A gente estava tocando um tempo com o Betão, mas o som estava ficando muito metal com ele. Aí veio o Boka, com aquele cabelinho de surfista, que não tinha nada a ver com a gente. No primeiro ensaio, ele tocou o Brasil inteiro. Aí, eu dei pra ele o Anarkophobia para tirar, mas já meio que descartando o cara”, confessa Gordo. “Eu estava pensando no Bauer (Down Hill, Agrotóxicos), mas aí o Boka apareceu com o Anarkophobia todo tirado. Não dava para dizer não para o cara. Mas, porra, eu não queria um cara com aquele cabelo na banda (risos). Depois, ele raspou”.
Boka confirma que quase foi despachado de início: “Eu senti que ele já estava meio que descartando, mas aproveitei que era véspera de carnaval e passei o feriado inteiro tirando as músicas. Eu já era fã do Ratos, ficou muito mais fácil”, diz. Verdadeiro polvo na bateria, Boka começou a tocar o instrumento em 1987, para poder entrar na banda Psychic Possessor. “Era o auge da união metal com punk, todo mundo queria vestir camiseta de S.O.D., C.O.C. e D.R.I., eu adorava Raw Power, Concrete Sox, som bem bagaceira. Naquela época, o público era muito foda, o Psychic fazia show para 700 pessoas. O Gordo cantou vários shows com Psychic, levando músicas do Napalm Death e do Exploited. Quando o Ratos ficou sem batera, eu resolvi encarar. Porra, se eu não conseguisse tocar aquelas músicas, era melhor largar a batera e ser apenas surfistas mesmo”, brinca Boka.
E foi nesse pique que saiu R.D.P. Ao Vivo, gravado em um show de São Paulo. Porém, quando a paz parecia reinar e finalmente os problemas da bateria estavam resolvidos, a banda fica desfalcada no baixo: Jabá saiu do grupo, em 93. Sem poder perder tempo por causa de diversos compromissos, o conjunto chama um amigo próximo para o posto: Walter Bart. “Ele era um cara legal, do tipo bonzinho, ensinou a gente a tocar Breaking All The Rules, do Peter Frampton”, diverte-se Gordo. “Ele tocava bem Peter Frampton, mas eu achava que ele não iria segurar a onda. O cara é bem rockeiro das antigas, não tinha muito a ver. Ele sofreu muito na minha mão, pois eu jogava baquetas nele durante os shows”, lembra Boka, gargalhando.
Foi assim que saiu Just Another Crime In Massacreland, o disco mais criticado do Ratos de Porão. Com quase tudo cantado em inglês, o álbum era uma cartada arriscada para atingir o mercado externo. “Esse é o nosso disco secreto -é bem feito, mas pouca gente conhece”, ironiza Gordo. “Era um álbum para ter boa repercussão no exterior, mas a Roadrunner fez tudo errado. Aliás, a Roadrunner foi uma merda na nossa vida, atrasou nosso lado por muitos anos. Aquela época foi tão ruim que lançamos uma demo e duas revistas (em quadrinhos) para poder manter a banda viva”.
“Esse disco é esquisitaço. Não teve muita participação minha, pois foi meu primeiro trabalho com o Ratos, eu praticamente só toquei, não ajudei a compor nada”, diz Boka.
A própria banda não ficou muito satisfeita com o trabalho e nem com a performance de Walter, um cara com formação mais rock’n’roll. “Eu que cheguei e disse para o Walter que ele estava fora. Depois, liguei para o Gordo e disse que estávamos sem baixista e precisávamos de um cara que já chegasse tocando Beber Até Morrer, pois não dá pra pegar um cara e começar tudo do zero novamente”, lembra Jão.
A fase pós-Massacreland foi difícil, os músicos estavam muito desanimados. “Estávamos fazendo show para 150 pessoas, por isso, decidimos que era hora de dar uma virada”, explica Boka. “Começamos a organizar mais as coisas, a marcar shows onde fosse possível e o público começou a aumentar de novo”.
Na parte musical, o segredo da mudança repousava sobre uma receita simples: a especialidade do Ratos de Porão sempre foi o hardcore tosco, não adiantava querer inventar muito. Rafael (Pica-Pau) veio para o baixo e a banda resolveu investir num projeto ambicioso de volta …s raízes: lançou dois CDs com 41 covers de bandas punks. Assim nasceu (em 95) Feijoada Acidente? Brasil (com covers de bandas punks nacionais) e Feijoada Acidente? International (covers gringos). E qualquer semelhança desse título com The Spaghetti Incident?, do Guns N’Roses, é mero sarcasmo.
“Essa foi a fase que começamos a retomar o lance do punk no Ratos, pois nosso negócio é mesmo fazer barulho, não adianta ficar inventando muito. Feijoada Acidente? é uma verdadeira aula de punk rock”, decreta Gordo. “Esse álbum foi muito bem aceito, ao contrário do Massacreland. Foi quando eu comecei a me envolver mais profundamente com esse lance de selo independente e passei a assumir uma posição tipo de manager do grupo”, lembra Boka.
1997-1999

Depois desse autêntico renascimento do Ratos, a banda despejou podridão em Carniceria Tropical, de 97, um dos discos mais barulhentos e sujos de sua carreira. “O Carniceria é um disco extremo mesmo”, admite Gordo. Mais uma vez, a estrada provou que esse era o caminho certo. “A turnê desse disco teve 180 shows em 18 meses, a guente tocou em todos os buracos possíveis. O disco havia saído pela Alternative Tentacles (selo de Jello Biafra, ex-Dead Kennedys) lá fora, com uma divulgação legual, por isso, cheguamos a fazer uma tour dedois meses com show todo dia. Tem que ser muito louco para aguentar uma dessa”, diz Boka.
Mas Pica-Pau não parecia ser suficientemente louco para aguentar o pique. “A saída dele não teve nenhuma ligação com a música, ele não aguentou foi o pique da estrada. Turnê é um negócio pesado, se o cara não tiver pique pra balada, não segura a onda mesmo. Quando voltamos da turnê pela Europa, ele disse que iria sair”, conta Boka. “Ele chorou na rampa mesmo”, simplifica Jão.
Pica-Pau deixou a banda para dedicar-se à arte da tatuagem e foi temporariamente substituído pelo brasiliense Phú (ex-D.F.C., Macakongus 2099). “Ele quebrou um galhão pra gente”, diz Jão. “É, mas, musicalmente, não foi muito legal. Ele tocava bem, mas não tinha punch, não tinha pegada”, lamenta Boka. Como sempre, Gordo é mais direto: “O Phú é um cara legal, mas muito chato. Ele ficou uma semana na minha casa e não me deixava dormir. As vezes eu acordava e ele estava joguando video-game ou olhando pra mim (risos). O lado fã dele era muito forte, não dava certo”.
Mais uma vez, lá estava o Ratos com problema na cozinha. Christian Wilson (Fralda) apareceu no caminho. “Eu trabalhei no Dynamo (casa de show paulistana do início dos anos 90) e cheguei a ver o Ratos tocar lá. Depois, trabalhei na revista Rock Brigade, na Dynamite e no (bar) Black Jack, até que comecei a tocar no Blind Pigs. Várias vezes eu tirei o avental degarçom para subir ao palco, tocar e voltar para o bar pra trabalhar com o avental novamente”, lembra Fralda. “Depois, fui trabalhar na MTV e lá conheci o Gordo. Em 97, depois de um show do Suicidal, eu encontrei o Gordo e ele perguntou se eu queria entrar no Ratos. Eu tirei umas músicas, mas o Pica-Pau acabou voltando para fazer uma turnê na Europa. Nessa mesma época, fiz uma tour pelo Brasil com o Blind Pigs e acabei deixando a banda. Fiquei uns oito meses parado, tempo que o Pica-Pau saiu de vez e eles tentaram encaixar o Phú, mas não rolou. Depois, acabaram me chamando de novo”.
“O Fralda encaixou certinho, é um bêbado (risos) que veste a camisa do Ratos de Porão. O Kichi (roadie) conheceu o Fralda dando um mosh no show do Ajna”, entrega Gordo, gerando uma gargalhada geral. “No início, ele não tocava muito legal as músicas do Ratos, mas tinha força e pegada. Era só investir no moleque que ele iria tocar bem. Estávamos desesperados, porque tínhamos uma turnê marcada para Portugal, Espanha e Inglaterra e não tínhamos baixista. A gente precisava do cara”, explica Boka.
“Eu pedi ajuda pro Mingau, foi ele quem me passou alguumas músicas mais fáceis pra pegar. A idéia era ensaiar bastante com o Boka uns 20 dias antes da turnê começar. Porém, justamente nessa época ele quebrou o dedo e foi proibido de tocar por 20 dias”, conta Fralda. E Boka completa: “O Fralda cheguou sem saber tocar as músicas direito. O primeiro show na Europa foi horrível, saiu tudo desafinado, mas ele foi pegando as coisas com o tempo”.
“Esse show de Portugal tinha The Cure e Sonic Youth, eu tinha um afinador e o Jão tinha outro, tocamos com regulagens diferentes”, defende-se Fralda. “Mas o maior teste dele foi mesmo essa turnê, pois estávamos tocando muito e não podíamos pegar um cara ruim de conviver. Ele não tem frescura, se encaixou bem na banda”, elogia Boka.
Na mesma época, saiu o tributo Traidô, com 20 bandas brasileiras tocando Ratos de Porão, entre elas, Gangrena Gasosa, Zero Vision, Muzzarelas, RIP Monsters (antiga banda deGastão Moreira), Ação Direta, Okotô e o veterano Kid Vinil com o seu Verminose. Por trás da organização do tributo estava Phú, o incansável fã número um do R.D.P. “Eu gostei mais das coisas que não têm nada a ver com o Ratos de Porão, como Kid Vinil e Speed Whale”, confessa Gordo.

Origem:Nacional


Gênero: Punk Rock

Gravadora: -

Site Original: www.ratosdeporao.org

Qtd. de Albuns: 24
Codec do Áudio: MP3


Áudio Bitrate: 128 /320 Kbps

Tamanho do Arquivo: 8 GB

Uploader: -

Tipo de Compartilhamento: torrent;

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